quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Assim sou Eu


Neste meu voo chamado Vida, abro minhas asas e acolho com alegria indescritível:

  • AMOR DIVINO
  • FAMÍLIA
  • AMIGOS VERDADEIROS
  • BOM PAPO
  • LIBERDADE
  • UNIVERSO CONSPIRANDO A FAVOR
  • TRABALHO PRODUTIVO
  • A PROFISSÃO
  • BOM HUMOR
  • HUMILDADE
  • LIVROS, LIVROS,LIVROS...
  • PRAIA, PRAIA, PRAIA...
  • SINCERIDADE
  • INDEPENDÊNCIA
  • PRATICIDADE
  • MANIÇOBA E EFOR. EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO, MELHOR AINDA...
  • CARANGUEJO, AMIGOS E CERVEJA - COMBINAÇÃO PERFEITA!
  • SILÊNCIOS DA ALMA
  • BOA MÚSICA - TOM JOBIM, NANDO REIS, TITÃS, CAZUZA, LEGIÃO URBANA, ELIS... TANTOS!
  • VIAGENS
  • CINEMA
  • TEATRO
  • FUTEBOL -  VITÓRIA E CORÍNTHIANS
  • UM BOM VINHO, BEM ACOMPANHADA, SINTO ATÉ A PRESENÇA DE BACO.
  • TEQUILA 
  • FESTAAAAAAAAAA, CARNAVAL! UEEEPA!!!!
  • EXPRESSAR SEMPRE O QUE SINTO
  • SEXO COM AMOR
  • INTELIGÊNCIA
  • SIMPLICIDADE
  • MEU ANJO DA GUARDA - COITADINHO! ESSE, TEM TRABALHO DE SOBRA.
  • O SORRISO DE MEU FILHO
  • GENEROSIDADE
  • O MAR
  • ENERGIA SOLAR
  • LUA CHEIA
  • CAMINHAR NA PRAIA
  • UMA REDE PREGUIÇOSA PRA DEITAR
  • ROMANTISMO - ANDA EM FALTA, MAS É BOMMMMMMMMMM!
  • DORMIR ABRAÇADA COM QUEM AMO
  • CONHECER GENTE E LUGARES DIFERENTES
  • NUDEZ - ROUPA É UMA PRISÃO!
  • O COLO DE MINHA MÃE
  • HOMEM COM CARÁTER E ATITUDE
  • ARTE
  • MINHA CASA
  • SENTAR NO CHÃO
  • COZINHAR
  • ESCREVER
  • RESPEITO
  • CHOCOLATEEEEEEEE - SEROTONINA SEMPRE!
  • ABRAÇOS CALOROSOS E TERNOS
  • BEIJOS QUENTES
  • AMAR E SENTIR-ME AMADA
  • VERÃO E PRIMAVERA
  • PÔR DE SOL
  • HAPPY HOUR NA SEXTA
  • ÀS VEZES, UM WHISKY SEM GELO - COLOCAR GELO NO WHISKY É UM CRIME.
  • TATUAGENS - TENHO DUAS BEM SIGNIFICATIVAS E VOU FAZER A TERCEIRA.

Fecho minhas asas para:

  • HIPOCRISIA
  • ARROGÂNCIA
  • FALSIDADE
  • PEIXE - POR MIM, TODOS ESTARIAM VIVOS, CRIANDO SEUS FILHOTINHOS!
  • LAGOSTA - MEU PAI DIZ QUE NASCI POBRE E VOU MORRER POBRE
  • ROUPA
  • SAPATO ALTO
  • ESTUPIDEZ
  • PAGODE, PRINCIPALMENTE AQUELES BEM CHULOS
  • O TAL DO ARROCHA TAMBÉM É DE MATAR QUALQUER OUVIDO SENSÍVEL
  • MENTIRA
  • CIÚME
  • POLÍTICOS
  • FILMES DE TERROR
  • TRAIÇÃO
  • VESTIDOS LONGOS - FICO PARECENDO UM BAÚ, COM SAPATO ALTO, ENTÃO, É UM BAÚ DESENGONÇADO. CENA HILÁRIA!!!
  • MAIÔ - TENHO QUE BRONZEAR MINHAS GORDURINHAS ABDOMINAIS.
  • TRILHAS DA CHAPADA DIAMANTINA - FUI UMA VEZ PARA NUNCA MAIS
  • TELEVISÃO DIA DE DOMINGO - GUGU, FAUSTÃO E ELIANA. QUE TRIO HEIN! É DE MATAR QUALQUER CRISTÃO! SEM FALAR NO HOMEM DO BAÚ... SEM COMENTÁRIOS!
  • MUSIQUINHA DO FANTÁSTICO
  • FALTA DE EDUCAÇÃO
  • TOALHA MOLHADA NA CAMA - O LUGAR QUE DURMO É SAGRADO!
  • CALCINHA E SUTIÃ - USO PORQUE NÃO TENHO JEITO
  • LUGARES APERTADOS E FECHADOS - PRECISO DE AR. ACHO QUE EM OUTRA VIDA MORRI SUFOCADA.
  • INSÔNIA - HORRÍVEL!
  • SHOPPING - ARGH! NO NATAL, ENTÃO, ODEIOOOO...
  • INVERNO
  • FILA
  • SEXO EGOÍSTA
  • ESPERAR - NINGUÉM MERECE!
  • FESTAS INFANTIS - UM MONTE DE CRIANCINHAS FAZENDO BARULHO E, ÀS VEZES, SÓ ROLA REFRIGERANTE... AÍ, FICA DIFÍCIL!
  • CRENTE, QUERENDO CONVERTER ALMAS PECADORAS, AOS BERROS, NAS RUAS.
  • GENTE QUE FALA CUSPINDO
  • HOMEM PAVÃO
  • SER ACUSADA DO QUE NÃO FIZ
  • HOSPITAL
  • CERVEJA QUENTE
  • VIOLÊNCIA
  • PRECONCEITO
  • CURSOS QUE NÃO ME ACRESCENTAM NADA
  • O "FAZ DE CONTA" DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
  • PERDER TEMPO
  • CAVIAR E ESCARGOT - ECAAA! ACHO QUE PAPI TEM RAZÃO!
  • VENDEDOR MAL HUMORADO
  • SAPO, RÃ... ANFÍBIOS ME DEIXAM PARALISADA
  • SALÃO DE BELEZA DIA DE SÁBADO - AFF! HAJA PACIÊNCIA!
  • PRENDER MEU CABELO
  • INTERNET LENTA
  • GENTE CHATA
  • COVARDIA
  • ACADEMIA
  • PISCINA
  • VULGARIDADE
  • FALTA DE INDIGNAÇÃO COM OS HORRORES QUE ACONTECEM NESTE MUNDÃO DE MEU DEUS.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tudo novo de Novo


Semana passada mudei de endereço. Estou agora num apartamento maior, localizado num lugar tranquilo, diferente do outro, que se localizava num lugar meio esquisitinho e onde, muitas vezes, os amigos se perdiam tentando encontrar.

A mudança foi cansativa, mas à proporção que fui desarrumando lá para depois arrumar aqui, fui fazendo um caminho emocional de volta ao primeiro dia que entrei no antigo apartamento.

Lembrei-me de toda expectativa que cercava aquele contrato de aluguel. Naquela época, tinha decidido com alegria e amor que, depois de muito tempo sem acreditar em casamento, queria sim dividir minha vida com aquele homem, cuja simples presença, coloria minha vida. Aquele amor, que solicitava de forma urgente horas a mais de carinho, dormir e acordar juntos, ausências com certeza de presença e escovas de dente entrelaçadas, foi desconstruindo todas as minhas certezas e quebrando a minha sólida resistência em me lançar no mundo dos casados, mundo, aliás, com o qual o meu espírito livre e temperamento independente, jamais cogitaram passar ao largo, que dirá estar inserida novamente. Mas, a vida sempre me surpreende, e me encontrei toda derretida e boba com a ideia de compartilhar sentimentos e espaços com alguém que amava.

Infelizmente, nada aconteceu como planejamos. Ele se apaixonou por outra e eu fiquei curtindo minha dor de cotovelo sozinha, tendo como testemunhas as paredes daquele lugar. Fazer o que? Coisas da vida, que não entendemos, mas que somos obrigados a aceitar, como um remédio ruim que desce goela abaixo.

Neste meu caminho de volta, fui revendo cada momento que passei naquele espaço. Os dias de sofrimento, as inúmeras visitas carinhosas, os medos, os momentos de superação de obstáculos, as paixões loucas e desvairadas, como toda paixão é, as conquistas profissionais, as idas e chegadas de viagens, as noites insones, as lágrimas, as alegrias reveladas em gargalhadas, que são minha marca registrada... Cada parede daquelas, presenciou muitos capítulos de minha vida.

Quando a mudança partiu e o apartamento estava completamente vazio, sentei no chão e chorei. Chorei por vários motivos juntos: emoção por encerrar uma etapa e inaugurar outra, uma pontinha de tristeza por tudo que poderia ter sido ali e não foi, alegria por ter sobrevivido ao sofrimento e me encontrar agora inteira e feliz, com projetos novos, casa nova e Tudo novo de Novo.

Fechei aquela porta, deixando as decepções lá trancadas e entrei em minha morada nova com o pé direito, trazendo o aprendizado e a certeza que serei muito feliz neste meu novo espaço.

Assim seja!

"Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz."
                                                                              Almir Sater

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sala de Aula


Há algumas semanas atrás, logo no início da aula, uma de minhas alunas estava aos prantos. Fiquei preocupada e, é claro, procurei saber o motivo de tantas lágrimas.

- Meu amor, o que houve?

- "Fulana de Tal" morreu pró – mais lágrimas e cara de desespero total.

Pelo nome dado (mistura de nome internacional com marca de roupa), pensei que fosse um animalzinho de estimação, um cachorrinho por exemplo, mas não quis perguntar, poderia ser uma irmã ou a melhor amiga. Sei lá, fiquei com receio de errar e piorar ainda mais a situação.

- Morreu como? – Perguntei, já com cara de condolências.

- Ela foi assassinada pró.

- Hã? - Espanto da pró e mais perguntas para avaliar a gravidade do sofrimento da adolescente em lágrimas.

- Como foi isso? Era sua amiga, irmã, mãe, tia?

Nesse momento, foi a vez do espanto geral da turma com tamanha ignorância da pró em relação a notícia tão veiculada num tipo de programa, que eleva seus índices de audiência esmiuçando a miséria humana. Tipo de programa, aliás, que a pró aqui se recusa a assistir.

Mas, voltemos ao diálogo.

- Próoooooooooooo... "Fulana de Tal"!

Eu, me sentindo uma alienada completa, procurava nos recônditos de minha memória qualquer referência àquele nome, e nada. Decidi tentar adivinhar o que tão famosa pessoa fazia da vida. Pelo nome, acreditei que poderia ser uma cantora de funk carioca, dessas que colocam um shortinho, berram meia dúzia de besteiras e rebolam. Arrisquei perguntar se era.

- Era cantora de funk?

Olhos arregalados, risos e mais espanto da turma.

- Nãoooooooooooo pró. Era a namorada de "Sicrano".

Pronto, tinha matado a charada. "Sicrano" deveria ser um famoso jogador de futebol ou um desses cantores de pagode, que as adolescentes amam.

Arrisquei novamente.

- "Sicrano" é jogador de futebol ou cantor de pagode?

Dessa vez, mais risos e uma certa impaciência com tanta alienação da pró. Imperdoável!

- Não pró, "Sicrano" é traficante.

Pró perplexa... Aquele era o momento da Pró conhecer as informações sobre o crime.Meus alunos sabiam tudo sobre o "Sicrano" famosíssimo e, diante da enxurrada de reportagens sobre "Fulana de Tal" no tal programa, conheciam a vida da primeira dama do tráfico, desde o nascimento até o dia do enterro que, aliás, levou duas mil pessoas (?) ao cemitério.

Me refiz do susto e aproveitei o momento para conversar com eles sobre o assunto. Expliquei que ninguém merece morrer daquele jeito, mas tentei fazê-los refletir o porquê de "Fulana de Tal" ter acabado naquele mundo de drogas, prisões e sabe-se o que mais, que a fez morrer jovem e de maneira tão trágica.

Ao final desta reflexão, disse-lhes que, tendo certeza que eles não queriam levar aquele tipo de vida, não conseguia entender tanta admiração por "Fulana de Tal". Minha aluna, aquela que estava aos prantos, um pouco indignada com minha "falta de sensibilidade", olhou-me como se eu não estivesse entendendo o óbvio e disse:

- Eu só queria ter o corpo dela! – Mais lágrimas....

Pode???

É, meus amigos, vida de professora não é fácil não, ainda mais com  valores  tão invertidos.

sábado, 23 de julho de 2011

Bom, Ruim, Assim Assim...

Gostei e compartilho.
Não sei se o texto é de Pedro Bial mesmo, afinal de contas essa questão de autoria neste mundo virtual é difícil, mas, de qualquer forma, o texto é lindo e o vídeo, narrado pelo homem do BBB, é muito bom.

Vale conferir!

BOM, RUIM, ASSIM ASSIM...


Quer saber de uma coisa?
Tudo pode ser bom, ruim e principalmente assim assim
Tudo ao mesmo tempo ou não, e não necessariamente nessa ordem
Bom é chegar na praia à tardinha, anúncio de por do Sol
Água de ondas mansinhas
Jogar bola na espuma e sob o céu encaixar como se fora Tafarel.

É bom também quando começa a chover
E as gotas fazem cócegas na superfície do mar
Como se um cardume infinito prometesse matar a fome
De todo o Vidigal, Rocinha, Cidade de Deus e Vigário Geral.
Ruim é lembrar daquele amigo que de prancha na mão
Morreu com um beijo roubado de um raio.

Da lembrança a correria, o medo… o medo…
Medo é bom, ruim é o medo de ter medo!

Bom é voltar, trocar chuva por chopp, passar atrás da pelada
A bola vai pra fora e como na crônica de Rubem Braga sobra pra você
Que mata no peito, faz embaixadinha e devolve redondo…
Num chute perfeito
Ruim é a fisgada na coxa, sair mancando disfarçadamente…
A vergonha de tá decadente não é ruim
Ruim é o orgulho que se nega a reconhecer a decadência.

É bom a cidade estranha em que você nunca esteve e sabe que nunca mais vai voltar
E nesse lugar você tem uma obrigação sem graça que cumpre com estilo e precisão
Traçando um dia perfeito no arco do tempo
Quando cai a noite é bom tomar um banho e sob o chuveiro é bom sentir saudade,
Ruim é não ter saudade
E como é bom sair sem direção pelas ruas da cidade
Pensando no que você fez da sua vida e o que a vida fez em você

Bom é sonhar, realizar não é tão bom, mas ruim mesmo é não realizar
O fim de um grande amor é muito, muito ruim, um grande amor não tem fim!
Bom é amar, ruim é amar… Bom é encarar a vida com fantasia.
Quando um poeta desaparece é bom botar chapéu de Bogar que
tudo pode solucionar…
Ruim é encontrar o precipício, morrer não deve ser tão ruim assim…
E pode ser bom falar sobre bom e ruim, e pode ser pior, assim assim … bom!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Estações de Paixão


A vida é realmente uma caixa de surpresas. Às vezes, quero ter a louca ilusão que controlo acontecimentos e sentimentos, mas é exatamente nestes momentos, que a vida me olha com carinha de pena e me faz descobrir o quanto estou enganada.

Minha Paixão de Verão, que acreditei ter finalizado com a entrada do outono, vestindo-a com os trajes da amizade, ressurgiu com olhares, toques e sabores. Quando menos esperávamos, em pleno Outono, nos surpreendemos com a louca vontade de veranear novamente e tiramos do arquivo, que já considerávamos morto, os trajes de nossa velha e conhecida paixão.

O inverno chegou e nos encontrou com os mesmos sintomas de saudade e alegria nos encontros. Ops! Sinal de alerta ligado e um tempo para reflexões, mas refletir pra que? No terreno do coração, a razão não tem a mínima chance de prevalecer. Um poema sincero expressou o que não se podia dizer e, mais uma vez, ganhei linhas muito significativas.

Porque somos nós...

Por que sempre contemos o que de fato queremos?
Por que sempre achamos que podemos controlar o incontrolável ?
Por que somos sempre racionais, se o que nos domina é o emocional?
Gostamos de nos experimentar, testar. Os efeitos e conseqüências desse ensaio químico chamado ser, nem sempre é o esperado, e surpreende.
Mas é aí que está o sabor, o vício.., Sempre queremos experimentar a vida e suas reações, e sempre podemos recomeçar.
Assim somos nós.
Autor conhecido, porém censurado novamente...rs

Hum... Agora, deu vontade de viver esta Paixão em todas as estações.
E que venha a Primavera!


terça-feira, 28 de junho de 2011

Não basta amar

Este é um dos inúmeros textos de Martha Medeiros que gosto muito. Nos faz refletir, mais uma vez, sobre o amor.

NÃO BASTA AMAR - MARTHA MEDEIROS


“Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes. O amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?

Depois que acaba essa paixão retumbante, sobra o quê? O amor. Mas não o amor mitificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos: o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filhos e amigos. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe o sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudade, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge, ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo pra cá, te amo pra lá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto tem que haver muito mais que amor, e às vezes nem necessita um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor, só, não basta.

Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que ter bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber relevar. Amar, só, é pouco.

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar os filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, independência, um tempo para cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem: às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, solamente, não basta.

Entre homens e mulheres que acham que amor é só poesia tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.”
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